Sustentabilidade deve ser a causa das empresas
Por Redação do Mercado Ético
Na segunda-feira, 24/8, o Grupo Santander e o Centro de Estudos de Sustentabilidade (GVCes) da Fundação Getúlio Vargas realizaram um encontro para discutir o tema “Empreendedorismo para sustentabilidade - dilemas e oportunidades”. O evento foi transmitido ao vivo pela internet e marcou o lançamento do terceiro módulo do curso online de sustentabilidade do Banco Real.
No novo vídeo, o personagem Roberto mostra como o conceito de sustentabilidade já está provocando grandes mudanças nas pessoas e em muitas organizações. Para assistir, clique em http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/sustentabilidade-deve-ser-a-causa-das-empresas/#
Dilemas e oportunidades
Logo no início do debate, que contou com a participação de Clélia Cecilia Angelon, presidente e fundadora da Surya Brasil, Eduardo Conde Filho, gerente de Marketing da BMK Tecnologia e Serviços, e Luís Fernando Laranja, diretor executivo da Ouro Verde Amazônia, ficou claro que é preciso, acima de tudo, comprometimento com a causa. Caso contrário, a empresa terá dificuldades para agir de forma sustentável.
As dificuldades são muitas. Como afirma Laranja, tudo começa com a relação com os colaboradores e fornecedores e vai até o respeito com a natureza. “Todas as exigências trabalhistas são resolvidas. Essa é uma obviedade! Mas nessa atividade [a Ouro Verde usa matérias-primas da Amazônia] isso não é tão comum”, aponta. “Além disso, não temos incentivos nenhum por parte do governo. Para instalar nossa fábrica no Mato Grosso do Sul, uma planta de baixíssima poluição, tivemos que esperar três anos pela licença”, completa.
No caso de Angelon, o idealismo foi o ponto de partida para seu negócio, que produz e distribui cosméticos em diversos países. “Queríamos fazer a diferença no mundo. Era nosso ideal de vida”, conta. Mas ela reforça que ideal por ideal não leva a nada. “Tivemos a idéia, mas depois estabelecemos uma boa base administrativa e, por fim, uma estratégia comercial”, explica.
Um outro ponto em que uma empresa sustentável pode sair perdendo é no que diz respeito à concorrência. Laranja reclama de que empresas não-sustentáveis acabam tendo um produto mais barato, justamente por não incorporarem custos socioambientais, o que acaba penalizando as companhias responsáveis. “A sustentabilidade tem custos adicionais. Rever danos causados na natureza não sai de graça. É preciso avaliar se a sociedade quer arcar com isso”, afirma.
Para Angelon, o principal fator é a educação dos consumidores. Mesmo com produtos mais caros, ela acredita que é possível atingir todos os níveis sociais, desde que a população seja esclarecida. “O empreendedor deve educar os consumidores”, fala.
(Envolverde/Mercado Ético)